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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"Faça o que eu falo...



20.08.10


De Eduardo Paes a Florestan Fernandes, que distância!

Ouvi hoje na rádio BandNews FM que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, admitiu ter recorrido a um hospital particular no começo deste mês para tratar um cálculo renal porque não confiava nos estabelecimentos públicos de saúde. Na segunda-feira dessa semana, o governador carioca Sérgio Cabral também foi internado em uma clínica privada, após torcer o joelho. Se eu morasse no Rio de Janeiro, a primeira questão que viria à cabeça seria: “Ué, mas se eles fazem tanta propaganda da melhora nos hospitais públicos, por que não os utilizam?”

Eduardo Paes foi sincero, temos que admitir. Afirmou que, como pode pagar por um plano de saúde, não vai entrar na fila de um Souza Aguiar da vida. Sua declaração revela o óbvio: a lógica que seguimos hoje continua a ser a de sucateamento do Estado, que vigorou nos anos de neoliberalismo e ainda não foi revertida. As classes alta e média, que podem custear tratamentos privados, o fazem sem pestanejar, enquanto o resto da população espera até um ano para marcar uma simples cirurgia.

Mas Eduardo Paes fez mais do que isso. Mostrou também qual é o tipo de político que temos: os que não são como Florestan Fernandes. Em agosto completa-se 15 anos da morte do sociólogo. Além de professor da Universidade de São Paulo, aquele que foi engraxate quando criança chegou duas vezes à Câmara dos Deputados. Entre outras, a ética e a coerência eram duas de suas maiores virtudes, como sempre lembram seus convivas.

Tanto que, aos 75 anos, quando já estava doente, não foi para uma clínica particular, mas sim para um hospital público. Queria ter o mesmo atendimento que os seus eleitores, o povo.

Dizem as más línguas que o então presidente Fernando Henrique Cardoso, que havia acompanhado de perto sua trajetória acadêmica, foi até o hospital tentar demovê-lo do que acreditava ser uma verdadeira loucura. Ofereceu até mesmo um tratamento nos Estados Unidos. Mas Florestan se negou a sair de lá e acabou falecendo em decorrência de um erro médico. E da ausência do Estado que lutava para (re)construir.

Não entendo isso como um sacrifício a ser louvado, mas como uma última lição que deveríamos aprender desse mestre. Em tempos de Eduardo Paes, Sérgio Cabral e tantos outros, será que ainda existem políticos assim? Pensemos nisso antes de votar.



Escrito por Maíra Kubík Mano às 11h41

(é jornalista. Mestre em Ciência Política, estuda a relação entre a mídia e as mulheres. É editora de Le Monde Diplomatique Brasil)

Boa Idéia!




O antivoto

Li por aí que, se você for se casar e quiser medir a intensidade da vida sexual a dois, é só reservar uma pia no apartamento do casal e, no primeiro ano de casamento, depositar nela uma bolinha de gude cada vez que fizerem amor.
E, a partir do segundo ano, retirar uma bolinha cada vez que acontecer.
Você ficará besta de ver como foi fácil encher a pia -e como parece difícil esvaziá-la.
Tirando o cinismo e o pessimismo, resta o realismo da observação: o ser humano é assim mesmo, capaz de banalizar o sublime.
Mas a ideia de um monitoramento diário poderia muito bem ser aplicada à administração presidencial.
Funcionaria assim: encerrada a campanha, efetuada a votação, apurados os votos e empossado o vencedor, a avaliação começaria imediatamente. Uma certa quantidade de cabines eleitorais, com mesário, fiscal etc., continuaria a funcionar full-time em cada cidade, apta a receber eleitores que, arrependidos, quisessem retirar seu voto no candidato.
A apuração desses antivotos seria diária e pública, e confrontada com a votação original.
Os telejornais e a internet divulgariam o resultado daquele dia:
"Hoje, o presidente recebeu 94.715 antivotos, perfazendo um total de 6.211.457 antivotos depositados desde a posse por pessoas insatisfeitas com sua administração. Mas, considerando-se os 48.313.989 que recebeu ao ser eleito, ainda mantém a confortável margem de 42.102.432 votos".
Se chegar a um patamar xis de desaprovação, o presidente deverá devolver o mandato e convocar novas eleições.
Tecnologia para apurar esses milhões de votos, temos de sobra.
Pena que, se vier a ser aplicado, tal sistema não alcançará a eleição de Dilma, Serra ou Marina.
A julgar por suas campanhas, desconfio que, em menos de dois anos, qualquer um deles, se eleito, já estaria no negativo.
RUY CASTRO
RIO DE JANEIRO
FolhaSP_Opinião, sexta-feira, 20 de agosto de 2010