quarta-feira, 1 de julho de 2009

Vai com tudo!!!!!!






Generosidade para todos
Não é preciso ser Gandhi ou Madre Teresa para fazer o bem aos outros. As pequenas doações do dia a dia contam, e muito, para ajudar o próximo e fazer deste planeta um lugar melhor

O dia 22 de abril de 2009 tinha tudo para ser mais uma jornada comum na vida de Santiago Gori, taxista argentino de 49 anos. Por volta das 21h, ele pegou uma corrida de quatro quarteirões e deixou um casal de aposentados em seu destino, na cidade de La Plata, a 60 km de Buenos Aires. “Mais uma corrida ruim”, pensou ele. Em seguida, pegou outra passageira, que o avisou que havia uma mala no banco de trás. Após deixála em seu destino, Santiago abriu a maleta e viu um monte de dinheiro – mais precisamente, 130 mil pesos, o equivalente a 72 mil reais. “Mas isso não é meu”, disse. Seu próximo passo foi devolver a pequena fortuna aos verdadeiros donos, o casal que ele tinha transportado antes. Sensibilizados pela história de Santiago, que recebeu dos donos da mala, em retribuição, apenas um singelo “você é um santo”, dois publicitários criaram uma campanha para arrecadar para o taxista a mesma quantia devolvida por ele. A iniciativa foi um sucesso e Santiago, o taxista generoso, levou o equivalente a 130 mil pesos.

Todos temos algo para dar. Pode ser carinho, um gesto e até informação

Santiago não é um homem rico, como Bill Gates. Não fundou, como o empresário, uma associação milionária para patrocinar avanços em saúde e educação. Também não é, como Madre Teresa ou Gandhi, um líder religioso, que dedica sua vida a cuidar dos desfavorecidos. Santiago é um homem comum, humilde, que teve uma oportunidade de fazer a coisa certa e a aproveitou. Em tempos de crise mundial, em que todos se preocupam com o futuro de suas finanças, ele poderia ter ficado com o dinheiro; poderia têlo usado para pagar o que faltava da licença de seu táxi, ou para comprar coisas bonitas para sua esposa ou seus filhos. Mas ele foi direto até os donos entregar o que tinham perdido

A história de Santiago prova que não é necessário ter uma fortuna, índole de santo ou algum poder para fazer o bem. Também não é preciso esperar grandes tragédias se abaterem sobre a população, como as enchentes de Santa Catarina e o furacão Katrina. Oportunidades para praticar a generosidade aparecem para todos nós, todo dia. Muitas vezes as desperdiçamos, por achar que temos quase nada a oferecer. Valorizamos e exaltamos a generosidade, mas achamos que ela é para poucos, para aquelas pessoas iluminadas que nasceram para fazer o bem. Nada poderia ser mais equivocado. Como disse o filósofo e político irlandês Edmund Burke, “ninguém comete erro maior que não fazer nada porque só pode fazer um pouco”.

Nobreza de alma

Todos temos algo para dar. Pode ser dinheiro ou bens materiais, as associações mais comuns quando pensamos em generosidade. Mas também pode ser conhecimento, coisas que nós sabemos e que podem ajudar os outros. Pode ser um abraço, uma palavra de conforto, um carinho. Afinal, a generosidade é, antes de mais nada, uma inclinação do espírito para fazer o bem. A palavra vem do latim “generositas”, que significa “de origem nobre”. Com o tempo, passou a significar a nobreza não de nascimento, mas de espírito.

É esse espírito nobre, generoso, que encontramos em pessoas como dona Conchetta Viola. Aos 87 anos, ela é conhecida em sua vizinhança, no Rio de Janeiro, como uma pessoa de coração grande, que ajuda a quem precisa. Seja fazendo um bolo para um vizinho, seja fazendo um mapa astral de graça, enquanto outros astrólogos cobram os olhos da cara pela leitura. “Tenho boa vontade”, diz ela, quando pergunto sobre generosidade. Se alguém pede um favor, seja uma receita ou um bordado, dona Conchetta ajuda. Sempre sem cobrar nada. “Não tenho jeito de cobrar, o que vou fazer?”, diz ela, rindo. “Aprendi com mamãe desde cedo a não fazer nada por interesse.” Com a saúde frágil, tendo passado por algumas cirurgias, dona Conchetta diz que até precisaria de uma pensão melhor. Mas não se sente frustrada por ter ajudado a vida toda sem cobrar. “As pessoas me querem bem, tenho muitas amizades, meus filhos são muito carinhosos. A vida me retribuiu”, diz.

Nos dias de hoje, parece cada vez mais difícil encontrar pessoas como dona Conchetta, capazes de se dedicar aos outros sem esperar recompensa. Mas, apesar de ter se tornado artigo raro, a generosidade foi responsável pela sobrevivência do ser humano como espécie. Lá nos primórdios, quando o homem ainda morava nas cavernas e caçava para sobreviver, era essencial que o grupo se mantivesse unido. Quem dava sorte na caçada distribuía carne para quem não tinha conseguido nada. Mais para a frente, a situação se invertia e quem tinha sido ajudado da primeira vez retribuía o favor, e assim ninguém passava fome. Os espertinhos que só queriam saber de aproveitar da caça dos outros, sem retribuir, eram logo excluídos do grupo. Esse comportamento é conhecido na sociobiologia como “altruísmo recíproco” e foi descrito pelo pesquisador americano Robert Trivers nos anos 70.

Nesse ponto, é bom fazer uma distinção entre altruísmo e generosidade. Segundo o filósofo e educador Mario Sergio Cortella, as duas virtudes são boas, mas diferentes. Agir esperando alguma espécie de retribuição seria altruísmo, representado no lema “faça aos outros o que querem que façam contigo”. A generosidade seria a prática desinteressada, feita mesmo quando se sabe que não haverá recompensa, cujo mote é “faça o bem porque é bom fazer” Essa separação é útil do ponto de vista filosófico. Na prática, porém, de pouco serve. É desnecessário ficar pensando em quais foram suas motivações para ajudar o próximo. Ninguém precisa ficar se gabando porque doou dinheiro para uma entidade beneficente. Mas não é pecado se sentir bem depois de uma boa ação. Esse pensamento de que é errado sentir prazer ao doar serve para nos distanciar ainda mais da prática da generosidade. Sob esse ponto de vista, enquanto não tivermos razões 100% sinceras e desinteressadas para ajudar alguém, não vale a pena fazê-lo. E nossas razões nunca serão 100% puras, sinceras e desinteressadas, afinal, fazer o bem faz bem.

Virtude celebrada

Considerado o pai da filosofia e da matemática modernas, o pensador francês René Descartes também deu seus pitacos sobre a generosidade. Dela, dizia que é a consciência de ser livre e fazer bom uso dessa liberdade, ou seja, agir de forma virtuosa. Para ele, saber-se senhor dessa liberdade, e usá-la para ajudar os outros, fazia um bem danado para a pessoa, produzindo auto-estima. “E é por gostar de si próprio que o generoso passa a estimar também o outro, reconhecendo nele o mesmo potencial para a virtude”, diz o filósofo Jorge Quintas, que escreveu um trabalho acadêmico sobre a generosidade em Descartes. Um dos grandes psicanalistas da história, Donald Winnicott, foi ainda mais longe, afirmando que não conseguir doar pode fazer mal para a pessoa. Sem essa capacidade de se preocupar com o outro, ficamos desequilibrados, perdemos o sentido de viver.

“Clarice Lispector já disse: ‘Todos querem a liberdade, mas quem por ela trabalha?’”, diz o cientista político Leonardo Sakamoto, fundador da ONG Repórter Brasil, que defende os direitos humanos. A organização ajudou a libertar trabalhadores da escravidão, denunciou a prostituição infantil e abusos cometidos contra comunidades ribeirinhas, entre outras atividades. Leonardo, que também dá aulas praticamente de graça para membros da comunidade e alunos da USP, nunca ganhou por seu trabalho na ONG. Atualmente, vive da bolsa concedida pela Ashoca, entidade que financia empreendedores sociais do mundo todo. “Levo uma vida modesta. Não estou aqui para ter o carro do ano. Nada contra quem tem, só que eu optei por uma vida menos confortável, mas que me realiza plenamente”, diz ele.

Porém, a generosidade é uma virtude mais celebrada que praticada. “A generosidade só brilha, na maioria das vezes, por sua ausência”, escreveu o filósofo francês Comte- Sponville no livro Pequeno Tratado das Grandes Virtudes.

Se a generosidade se tornou artigo raro, um pouco da culpa é da sociedade atual, calcada em valores como egoísmo e individualismo. “Pensamos muito em nosso próprio umbigo e pouco no dos outros”, diz Mario Sergio Cortella. Para ele, isso é ainda mais forte nas classes mais altas. “Na favela, se desaba um barraco, a vizinha acolhe os filhos da que perdeu a casa, dizendo ‘onde comem dez comem 15’. Na classe média, às vezes as pessoas nem sabem o que fazer com os pais idosos”, diz. Isso acontece porque, nas favelas, ainda impera o espírito de cooperação que guiou nossos antepassados na época das cavernas. Sem a ajuda do vizinho, não se sobrevive.

“Eu diria que o termo correto é disponível”, afirma a geógrafa paulistana Flora Medeiros Lahuerta, de 26 anos. Ela é aquela pessoa a quem todos recorrem em momentos de necessidade. Seja para desabafar as desilusões amorosas, seja para dar carona ou revisar um texto acadêmico. Certa vez, uma amiga saiu do Rio de Janeiro sem roupas apropriadas para enfrentar o frio cortante que fazia em São Paulo. Do meio da estrada, ligou para Flora, que saiu de uma festa para buscá-la na rodoviária, casaquinho e cachecol na mão. O grande desafio de Flora, agora, é calibrar melhor o tempo que dedica aos outros. Afinal, de tanto querer agradar a todos, acaba se atrapalhando e assumindo tarefas que não conseguirá cumprir. “Para mim não é um esforço ajudar”, diz. “Sinto satisfação ao ver que contribuí para que algo desse certo.”

Educar para dividir

Um dos mecanismos que a sociedade sempre teve para educar para o bem foram as religiões. Como sempre foram preocupadas com a moral, as crenças em um poder superior costumam estimular virtudes como a generosidade, a solidariedade, a compaixão. “Ninguém nasce generoso”, diz o reverendo Alderi Sousa de Matos, professor de História da Igreja do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, da Universidade Mackenzie. “É preciso aprender.” No cristianismo, por exemplo, costumam- se contar as histórias de Cristo como inspiração para os fiéis. Uma das mais conhecidas é a do milagre da multiplicação de pães e peixes. “O que Cristo fez foi juntar o pouquinho que cada um tinha e repartir entre todos”, diz Cortella. Aí está a diferença entre dividir e repartir. “Quando se divide um bolo entre dez pessoas, cada uma fica com um pedaço. Quando se reparte o bolo, cada uma fica com o que precisa”, exemplifica. Para o budismo, exercitar todos os dias virtudes como a generosidade é uma forma de combater os vícios, como o egoísmo.

Como as religiões forçam o indivíduo a olhar para fora de seu próprio mundo, são uma forma de se educar para a generosidade. Mas não são as únicas. Existem práticas que podem ser feitas nas escolas, por exemplo, para estimular as crianças a ser solidárias. Um exemplo são os lanches compartilhados, em que cada aluno leva o seu e todos repartem. Existem também os jogos cooperativos, em que ninguém perde: em vez de competir, todos cooperam para a vitória do grupo.

Estar disponível para o outro demanda uma nova atitude desinteressada

A internet pode estar forjando uma geração mais livre, aberta e generosa


Substituto do amor
“Em uma sociedade que pede apenas que você receba, nunca doe, a generosidade é um treino”, diz a terapeuta existencial e professora da PUCSP Dulce Critelli. Para ela, o primeiro passo para a generosidade é sacar se somos, individualmente, capazes de oferecer. “O desafio é estar atento às necessidades da vida em comum, não só às nossas.” Para poder ajudar o outro, o primeiro passo é enxergá-lo, ouvi-lo, perceber suas necessidades.

Uma vez que percebemos, é hora de partir a ação. Porque ser generoso é, antes de tudo, uma escolha. É diferente, por exemplo, do amor. Quando amamos, seja um filho, seja um companheiro ou um amigo, somos capazes de grandes sacrifícios. Sem nem pensar duas vezes, uma mãe passa a noite na cabeceira do filho doente. Mas, se a criança em questão não for nosso filho, não somos capazes do mesmo gesto. Comte-Sponville pergunta: se o mendigo na rua fosse alguém que amamos, recusaríamos a ajuda que ele pede? A generosidade existe, então, como substituto do amor, para os casos em que não sentimos amor – afinal, não escolhemos senti-lo. Precisamos aprender a compartilhar com desconhecidos como fazemos com as pessoas que amamos.

Foi o que ocorreu com Sabrina Rondon Gahyva, de 24 anos, ao decidir fazer trabalho voluntário em Angola, em 2008. Jornalista, fazia trabalho parecido na periferia de Cuiabá (MT), onde mora, mas seu sonho era trabalhar com crianças carentes na África. Na internet, descobriu a ONG ADPP, com projetos no continente, e se inscreveu. Após seis meses de treinamento nos Estados Unidos, foi para Angola, onde passou nove meses. A cidade para onde iria dar aula para crianças, Cabinda, era palco de um confl ito armado, então seus planos mudaram: foi para Benguela, onde lecionou geopolítica em um curso de formação para professores da área rural. Também atuou em projetos de prevenção do HIV e em estudos sobre a inserção das mulheres no sistema educacional angolano. “Penso que o planeta é uma família só, uma corrente mesmo. E estamos aqui para trocar.” Assim como os outros personagens desta reportagem, Sabrina hesita em usar o termo generosidade para falar de sua experiência. “Nisso tudo, quem mais ganhou fui eu.”

Responsabilidade social

Sabrina encontrou a ONG que viabilizaria sua ida para Angola ao navegar na internet. Pois a web é uma das ferramentas que mais podem ajudar a prática da generosidade. À primeira vista, parece que as novas tecnologias contribuem para o isolamento das pessoas. No ônibus, por exemplo, é cada um no seu canto, com seu iPod, sem conversar com o vizinho. Aqui, porém, estamos falando de outra coisa: da natureza colaborativa da rede e da cultura de participação que ela cria.

Só na internet é possível um fenômeno como a Wikipédia, em que colaboradores anônimos atualizam verbetes sobre quase qualquer assunto, tornando o site uma enorme enciclopédia global. Quando cada um faz um pouco e colabora com o que sabe, todos ganham. Assim é também com os softwares livres. São programas que poderiam custar milhões, mas foram criados por programadores que os distribuem de graça porque acreditam que a informação deve circular livremente. Uma geração acostumada a compartilhar tudo tende a ser mais generosa. “A internet maximizou os incentivos sociais que se recebe ao fazer um trabalho”, diz o advogado Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas e diretor do Creative Commons no Brasil. “Nessa nova visão, não importa a gratificação econômica, mas a reputação entre os pares, a capacidade de estabelecer ligações com outras pessoas, muitas delas desconhecidas.”

Seja por meio da colaboração digital, seja pelas formas tradicionais de doação, o fato é que o mundo nunca precisou tanto de generosidade como nos dias de hoje. Não só com amigos, colegas, desconhecidos, mas com o próprio planeta. “Fazer o bem, hoje, é abrir mão do conforto e deixar o carro em casa de vez em quando, economizar água, reduzir o consumo”, diz Dulce Critelli. Nesse sentido, a generosidade se confunde, hoje, com a responsabilidade social. “Se não aprendermos a fazer isso mais rápido do que estamos fazendo, o tecido social vai se esfacelar”, diz Cortella. É preciso ser generoso com o planeta, assim como ele é conosco.


"Grandes temas"FÓRUM:
Como você exercita a generosidade?Edições Anteriores Edição undefinedO dia 22 de abril de 2009 tinha tudo para ser mais uma jornada comum na vida de Santiago Gori, taxista argentino de 49 anos. Por volta das 21h, ele pegou uma corrida de quatro quarteirões e deixou um casal de aposentados em seu destino, na cidade de La Plata, a 60 km de Buenos Aires. “Mais uma corrida ruim”, pensou ele. Em seguida, pegou outra passageira, que o avisou que havia uma mala no banco de trás. Após deixála em seu destino, Santiago abriu a maleta e viu um monte de dinheiro – mais precisamente, 130 mil pesos, o equivalente a 72 mil reais. “Mas isso não é meu”, disse. Seu próximo passo foi devolver a pequena fortuna aos verdadeiros donos, o casal que ele tinha transportado antes. Sensibilizados pela história de Santiago, que recebeu dos donos da mala, em retribuição, apenas um singelo “você é um santo”, dois publicitários criaram uma campanha para arrecadar para o taxista a mesma quantia devolvida por ele. A iniciativa foi um sucesso e Santiago, o taxista generoso, levou o equivalente a 130 mil pesos.

Todos temos algo para dar. Pode ser carinho, um gesto e até informação

Santiago não é um homem rico, como Bill Gates. Não fundou, como o empresário, uma associação milionária para patrocinar avanços em saúde e educação. Também não é, como Madre Teresa ou Gandhi, um líder religioso, que dedica sua vida a cuidar dos desfavorecidos. Santiago é um homem comum, humilde, que teve uma oportunidade de fazer a coisa certa e a aproveitou. Em tempos de crise mundial, em que todos se preocupam com o futuro de suas finanças, ele poderia ter ficado com o dinheiro; poderia têlo usado para pagar o que faltava da licença de seu táxi, ou para comprar coisas bonitas para sua esposa ou seus filhos. Mas ele foi direto até os donos entregar o que tinham perdido

A história de Santiago prova que não é necessário ter uma fortuna, índole de santo ou algum poder para fazer o bem. Também não é preciso esperar grandes tragédias se abaterem sobre a população, como as enchentes de Santa Catarina e o furacão Katrina. Oportunidades para praticar a generosidade aparecem para todos nós, todo dia. Muitas vezes as desperdiçamos, por achar que temos quase nada a oferecer. Valorizamos e exaltamos a generosidade, mas achamos que ela é para poucos, para aquelas pessoas iluminadas que nasceram para fazer o bem. Nada poderia ser mais equivocado. Como disse o filósofo e político irlandês Edmund Burke, “ninguém comete erro maior que não fazer nada porque só pode fazer um pouco”.

Nobreza de alma

Todos temos algo para dar. Pode ser dinheiro ou bens materiais, as associações mais comuns quando pensamos em generosidade. Mas também pode ser conhecimento, coisas que nós sabemos e que podem ajudar os outros. Pode ser um abraço, uma palavra de conforto, um carinho. Afinal, a generosidade é, antes de mais nada, uma inclinação do espírito para fazer o bem. A palavra vem do latim “generositas”, que significa “de origem nobre”. Com o tempo, passou a significar a nobreza não de nascimento, mas de espírito.

É esse espírito nobre, generoso, que encontramos em pessoas como dona Conchetta Viola. Aos 87 anos, ela é conhecida em sua vizinhança, no Rio de Janeiro, como uma pessoa de coração grande, que ajuda a quem precisa. Seja fazendo um bolo para um vizinho, seja fazendo um mapa astral de graça, enquanto outros astrólogos cobram os olhos da cara pela leitura. “Tenho boa vontade”, diz ela, quando pergunto sobre generosidade. Se alguém pede um favor, seja uma receita ou um bordado, dona Conchetta ajuda. Sempre sem cobrar nada. “Não tenho jeito de cobrar, o que vou fazer?”, diz ela, rindo. “Aprendi com mamãe desde cedo a não fazer nada por interesse.” Com a saúde frágil, tendo passado por algumas cirurgias, dona Conchetta diz que até precisaria de uma pensão melhor. Mas não se sente frustrada por ter ajudado a vida toda sem cobrar. “As pessoas me querem bem, tenho muitas amizades, meus filhos são muito carinhosos. A vida me retribuiu”, diz.

Nos dias de hoje, parece cada vez mais difícil encontrar pessoas como dona Conchetta, capazes de se dedicar aos outros sem esperar recompensa. Mas, apesar de ter se tornado artigo raro, a generosidade foi responsável pela sobrevivência do ser humano como espécie. Lá nos primórdios, quando o homem ainda morava nas cavernas e caçava para sobreviver, era essencial que o grupo se mantivesse unido. Quem dava sorte na caçada distribuía carne para quem não tinha conseguido nada. Mais para a frente, a situação se invertia e quem tinha sido ajudado da primeira vez retribuía o favor, e assim ninguém passava fome. Os espertinhos que só queriam saber de aproveitar da caça dos outros, sem retribuir, eram logo excluídos do grupo. Esse comportamento é conhecido na sociobiologia como “altruísmo recíproco” e foi descrito pelo pesquisador americano Robert Trivers nos anos 70.

Nesse ponto, é bom fazer uma distinção entre altruísmo e generosidade. Segundo o filósofo e educador Mario Sergio Cortella, as duas virtudes são boas, mas diferentes. Agir esperando alguma espécie de retribuição seria altruísmo, representado no lema “faça aos outros o que querem que façam contigo”. A generosidade seria a prática desinteressada, feita mesmo quando se sabe que não haverá recompensa, cujo mote é “faça o bem porque é bom fazer” Essa separação é útil do ponto de vista filosófico. Na prática, porém, de pouco serve. É desnecessário ficar pensando em quais foram suas motivações para ajudar o próximo. Ninguém precisa ficar se gabando porque doou dinheiro para uma entidade beneficente. Mas não é pecado se sentir bem depois de uma boa ação. Esse pensamento de que é errado sentir prazer ao doar serve para nos distanciar ainda mais da prática da generosidade. Sob esse ponto de vista, enquanto não tivermos razões 100% sinceras e desinteressadas para ajudar alguém, não vale a pena fazê-lo. E nossas razões nunca serão 100% puras, sinceras e desinteressadas, afinal, fazer o bem faz bem.

Virtude celebrada

Considerado o pai da filosofia e da matemática modernas, o pensador francês René Descartes também deu seus pitacos sobre a generosidade. Dela, dizia que é a consciência de ser livre e fazer bom uso dessa liberdade, ou seja, agir de forma virtuosa. Para ele, saber-se senhor dessa liberdade, e usá-la para ajudar os outros, fazia um bem danado para a pessoa, produzindo auto-estima. “E é por gostar de si próprio que o generoso passa a estimar também o outro, reconhecendo nele o mesmo potencial para a virtude”, diz o filósofo Jorge Quintas, que escreveu um trabalho acadêmico sobre a generosidade em Descartes. Um dos grandes psicanalistas da história, Donald Winnicott, foi ainda mais longe, afirmando que não conseguir doar pode fazer mal para a pessoa. Sem essa capacidade de se preocupar com o outro, ficamos desequilibrados, perdemos o sentido de viver.

“Clarice Lispector já disse: ‘Todos querem a liberdade, mas quem por ela trabalha?’”, diz o cientista político Leonardo Sakamoto, fundador da ONG Repórter Brasil, que defende os direitos humanos. A organização ajudou a libertar trabalhadores da escravidão, denunciou a prostituição infantil e abusos cometidos contra comunidades ribeirinhas, entre outras atividades. Leonardo, que também dá aulas praticamente de graça para membros da comunidade e alunos da USP, nunca ganhou por seu trabalho na ONG. Atualmente, vive da bolsa concedida pela Ashoca, entidade que financia empreendedores sociais do mundo todo. “Levo uma vida modesta. Não estou aqui para ter o carro do ano. Nada contra quem tem, só que eu optei por uma vida menos confortável, mas que me realiza plenamente”, diz ele.

Porém, a generosidade é uma virtude mais celebrada que praticada. “A generosidade só brilha, na maioria das vezes, por sua ausência”, escreveu o filósofo francês Comte- Sponville no livro Pequeno Tratado das Grandes Virtudes.

Se a generosidade se tornou artigo raro, um pouco da culpa é da sociedade atual, calcada em valores como egoísmo e individualismo. “Pensamos muito em nosso próprio umbigo e pouco no dos outros”, diz Mario Sergio Cortella. Para ele, isso é ainda mais forte nas classes mais altas. “Na favela, se desaba um barraco, a vizinha acolhe os filhos da que perdeu a casa, dizendo ‘onde comem dez comem 15’. Na classe média, às vezes as pessoas nem sabem o que fazer com os pais idosos”, diz. Isso acontece porque, nas favelas, ainda impera o espírito de cooperação que guiou nossos antepassados na época das cavernas. Sem a ajuda do vizinho, não se sobrevive.

“Eu diria que o termo correto é disponível”, afirma a geógrafa paulistana Flora Medeiros Lahuerta, de 26 anos. Ela é aquela pessoa a quem todos recorrem em momentos de necessidade. Seja para desabafar as desilusões amorosas, seja para dar carona ou revisar um texto acadêmico. Certa vez, uma amiga saiu do Rio de Janeiro sem roupas apropriadas para enfrentar o frio cortante que fazia em São Paulo. Do meio da estrada, ligou para Flora, que saiu de uma festa para buscá-la na rodoviária, casaquinho e cachecol na mão. O grande desafio de Flora, agora, é calibrar melhor o tempo que dedica aos outros. Afinal, de tanto querer agradar a todos, acaba se atrapalhando e assumindo tarefas que não conseguirá cumprir. “Para mim não é um esforço ajudar”, diz. “Sinto satisfação ao ver que contribuí para que algo desse certo.”

Educar para dividir

Um dos mecanismos que a sociedade sempre teve para educar para o bem foram as religiões. Como sempre foram preocupadas com a moral, as crenças em um poder superior costumam estimular virtudes como a generosidade, a solidariedade, a compaixão. “Ninguém nasce generoso”, diz o reverendo Alderi Sousa de Matos, professor de História da Igreja do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, da Universidade Mackenzie. “É preciso aprender.” No cristianismo, por exemplo, costumam- se contar as histórias de Cristo como inspiração para os fiéis. Uma das mais conhecidas é a do milagre da multiplicação de pães e peixes. “O que Cristo fez foi juntar o pouquinho que cada um tinha e repartir entre todos”, diz Cortella. Aí está a diferença entre dividir e repartir. “Quando se divide um bolo entre dez pessoas, cada uma fica com um pedaço. Quando se reparte o bolo, cada uma fica com o que precisa”, exemplifica. Para o budismo, exercitar todos os dias virtudes como a generosidade é uma forma de combater os vícios, como o egoísmo.

Como as religiões forçam o indivíduo a olhar para fora de seu próprio mundo, são uma forma de se educar para a generosidade. Mas não são as únicas. Existem práticas que podem ser feitas nas escolas, por exemplo, para estimular as crianças a ser solidárias. Um exemplo são os lanches compartilhados, em que cada aluno leva o seu e todos repartem. Existem também os jogos cooperativos, em que ninguém perde: em vez de competir, todos cooperam para a vitória do grupo.

Estar disponível para o outro demanda uma nova atitude desinteressada

A internet pode estar forjando uma geração mais livre, aberta e generosa


Substituto do amor
“Em uma sociedade que pede apenas que você receba, nunca doe, a generosidade é um treino”, diz a terapeuta existencial e professora da PUCSP Dulce Critelli. Para ela, o primeiro passo para a generosidade é sacar se somos, individualmente, capazes de oferecer. “O desafio é estar atento às necessidades da vida em comum, não só às nossas.” Para poder ajudar o outro, o primeiro passo é enxergá-lo, ouvi-lo, perceber suas necessidades.

Uma vez que percebemos, é hora de partir a ação. Porque ser generoso é, antes de tudo, uma escolha. É diferente, por exemplo, do amor. Quando amamos, seja um filho, seja um companheiro ou um amigo, somos capazes de grandes sacrifícios. Sem nem pensar duas vezes, uma mãe passa a noite na cabeceira do filho doente. Mas, se a criança em questão não for nosso filho, não somos capazes do mesmo gesto. Comte-Sponville pergunta: se o mendigo na rua fosse alguém que amamos, recusaríamos a ajuda que ele pede? A generosidade existe, então, como substituto do amor, para os casos em que não sentimos amor – afinal, não escolhemos senti-lo. Precisamos aprender a compartilhar com desconhecidos como fazemos com as pessoas que amamos.

Foi o que ocorreu com Sabrina Rondon Gahyva, de 24 anos, ao decidir fazer trabalho voluntário em Angola, em 2008. Jornalista, fazia trabalho parecido na periferia de Cuiabá (MT), onde mora, mas seu sonho era trabalhar com crianças carentes na África. Na internet, descobriu a ONG ADPP, com projetos no continente, e se inscreveu. Após seis meses de treinamento nos Estados Unidos, foi para Angola, onde passou nove meses. A cidade para onde iria dar aula para crianças, Cabinda, era palco de um confl ito armado, então seus planos mudaram: foi para Benguela, onde lecionou geopolítica em um curso de formação para professores da área rural. Também atuou em projetos de prevenção do HIV e em estudos sobre a inserção das mulheres no sistema educacional angolano. “Penso que o planeta é uma família só, uma corrente mesmo. E estamos aqui para trocar.” Assim como os outros personagens desta reportagem, Sabrina hesita em usar o termo generosidade para falar de sua experiência. “Nisso tudo, quem mais ganhou fui eu.”

Responsabilidade social

Sabrina encontrou a ONG que viabilizaria sua ida para Angola ao navegar na internet. Pois a web é uma das ferramentas que mais podem ajudar a prática da generosidade. À primeira vista, parece que as novas tecnologias contribuem para o isolamento das pessoas. No ônibus, por exemplo, é cada um no seu canto, com seu iPod, sem conversar com o vizinho. Aqui, porém, estamos falando de outra coisa: da natureza colaborativa da rede e da cultura de participação que ela cria.

Só na internet é possível um fenômeno como a Wikipédia, em que colaboradores anônimos atualizam verbetes sobre quase qualquer assunto, tornando o site uma enorme enciclopédia global. Quando cada um faz um pouco e colabora com o que sabe, todos ganham. Assim é também com os softwares livres. São programas que poderiam custar milhões, mas foram criados por programadores que os distribuem de graça porque acreditam que a informação deve circular livremente. Uma geração acostumada a compartilhar tudo tende a ser mais generosa. “A internet maximizou os incentivos sociais que se recebe ao fazer um trabalho”, diz o advogado Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas e diretor do Creative Commons no Brasil. “Nessa nova visão, não importa a gratificação econômica, mas a reputação entre os pares, a capacidade de estabelecer ligações com outras pessoas, muitas delas desconhecidas.”

Seja por meio da colaboração digital, seja pelas formas tradicionais de doação, o fato é que o mundo nunca precisou tanto de generosidade como nos dias de hoje. Não só com amigos, colegas, desconhecidos, mas com o próprio planeta. “Fazer o bem, hoje, é abrir mão do conforto e deixar o carro em casa de vez em quando, economizar água, reduzir o consumo”, diz Dulce Critelli. Nesse sentido, a generosidade se confunde, hoje, com a responsabilidade social. “Se não aprendermos a fazer isso mais rápido do que estamos fazendo, o tecido social vai se esfacelar”, diz Cortella. É preciso ser generoso com o planeta, assim como ele é conosco.

texto Jeanne Callegari


sábado, 27 de junho de 2009

"Por que o miolo do pão tem buracos"


Crédits photo : Le Figaro

Pourquoi la mie de pain a-t-elle des trous ?

HISTOIRES DE SAVOIR - Jean-Luc Nothias met en lumière le rôle essentiel des levures dans la fabrication du pain.

Tout est dans la bulle. Dans sa taille, sa répartition, son nombre… Tout comme pour le champagne, un bon pain se doit de posséder des «bulles» ni trop petites ni trop grosses, de tailles comparables et harmonieusement placées pour nos papilles. Et si un bon pain dépend évidemment du savoir-faire du boulanger et de la qualité de la matière première utilisée, en particulier de la farine, il doit son existence à une innombrable armée de petits bras invisibles qui vont opérer l'alchimie magique de la mie de pain. Voici venir les levures.
Pour faire du pain, il faut de la farine (le plus souvent de blé), de l'eau, du sel et des levures. Celles-ci sont des micro-organismes unicellulaires eucaryotes. C'est-à-dire qu'à la différence des bactéries, leurs chromosomes sont placés dans un noyau à l'intérieur de la cellule qui est ronde ou ovale. On connaît plus de 1 000 espèces de levures mais la plus utilisée dans l'alimentation est la fameuse Saccharomyces cerevisiae (le «champignon à sucre de cervoise», la boisson des Gaulois) qui intervient dans la fabrication du pain mais aussi de la bière ou du vin. Utilisée depuis l'Antiquité de manière empirique, cette levure a été «démasquée» par un médecin botaniste allemand, Franz Meyen, qui la décrivit complètement en 1837. Et si Louis Pasteur est connu pour ses travaux sur la rage, il devrait l'être plus encore pour ses travaux sur les levures et les bactéries, car il va jeter les bases scientifiques de ce que l'on sait sur elles.
Éthanol et gaz carbonique
Une levure est un petit être exceptionnel : elle est munie de deux systèmes de «respiration». Elle peut faire comme nous et vivre en respirant de l'oxygène. Oxygène qui va lui permettre de se servir des sucres pour s'alimenter en produisant du gaz carbonique. Mais elle est aussi capable de vivre tout aussi confortablement sans oxygène. Dans ce deuxième cas, on parle de fermentation. La levure transforme les sucres en produisant de l'éthanol et du gaz carbonique. Ainsi, la levure est capable de «faire» du pain, de la bière, du vin ou… des biocarburants.
Prenons le cas du pain. Au départ, il y a un blé tendre qui pousse dans un champ. Comme tout végétal qui se respecte, il se fait un devoir de former des graines, réunies dans son épi. Et au cœur de la graine, il «entrepose» des réserves de nourriture nécessaire à la germination. Ces réserves de nourriture vont donner la farine. Elle est constituée en majorité (85 à 90 %) d'amidon, des millions de molécules de glucose, le reste étant des matières azotées et des protéines que l'on appelle gluten, au rôle crucial.
Une fois tout cela décortiqué, isolé, purifié, le boulanger reçoit sa farine. Cette poudre, associée aux autres ingrédients dans des proportions bien précises, va être transformée en pâte élastique grâce au pétrissage. À la main ou dans le pétrin, cela va donner une cohésion à la pâte grâce au gluten, dont la racine «glu» donne le sens. Il va constituer comme une toile d'araignée tridimensionnelle collante qui va maintenir dans une sorte de corset le reste de la matière du pain.
La fermentation des levures
Pendant que le gluten fait sa toile, aidé par le sel, les millions de cellules de levures s'activent. Elles entament la «pousse» ou aussi «levée», étape en deux temps pendant lesquels le volume de la pâte va être fortement augmenté (multiplié par trois en fin d'opération). Car les levures dans la pâte sont privées d'oxygène. Elles fermentent donc en produisant de l'éthanol et du gaz carbonique. C'est ce gaz qui va dilater la pâte et créer des bulles en son sein, qui donneront les trous de la mie. Et qui donneront au pain son moelleux.
On constate sans peine que les conditions nécessaires à la réalisation d'un bon pain sont légion. Matière première (la qualité du blé), température (28 °, optimal pour les levures), temps de pétrissage (pour le gluten) et temps de repos, additif éventuels qui peuvent agir sur certaines phases, etc. Le boulanger a du pain sur la planche.
Respire-t-on du gaz carbonique quand on mange du pain et doit-on craindre l'alcootest (à cause de l'éthanol, à la base de l'alcool) ? Car la multitude de petites levures, piochant dans les sucres de la farine, en produisent une bonne quantité. C'est pour cela, entre autre, que la pâte avant cuisson est indigeste, qu'elle a un goût très différent et qu'elle est un tant soit peu enivrante. C'est au cours de la cuisson (à 250 °) que gaz carbonique et éthanol vont s'évaporer. La cuisson va également transformer l'amidon en le rendant plus digeste. Mais elle va aussi «liquider» la nuée d'ouvriers invisibles. C'est la sortie de scène des levures. En toute majesté.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"A VIDA COMO ELA É"

"Descontração, um dos segredos da longevidade
24 de junho de 2009
Por Giovana Pastore

Há 14 anos, Thomas Perls, professor e pesquisador da Universidade de Boston (EUA), estuda pessoas longevas, um dos segmentos da população que mais cresce no mundo - especialmente em nações desenvolvidas. O estudo mais recente do geriatra, que comanda o
New England Centenarian Study, identificou características comuns aos filhos de centenários: eles são mais extrovertidos e menos neuróticos do que a média da população, sabem lidar melhor com o stress e são menos solitários e deprimidos. O objetivo era entender o efeito que a personalidade de uma pessoa exerce sobre a duração de sua vida. Perls, que estará no Rio no próximo dia 25 para uma conferência sobre qualidade de vida, falou a VEJA.com sobre suas descobertas."


Achei o resultado desse estudo o máximo, totalmente na contra-mão do mundo (da mídia) atual.
O que achei incrível, na verdade, foi que é longevidade com qualidade ao alcance de qualquer mortal!
Basta ser mais extrovertido, menos neurótico, mais paciente (olha o stress) e menos solitário (olha a depressão) e ter bastante velhinhos na sua família (olha a herança).
Simples, não?
E o que me intriga é por quê insistimos em acrescentar ingredientes a receita...
Nem Freud, explica.
silkelita
quer ler a entrevista? Acesse:



sábado, 13 de junho de 2009

Entrevista


A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
.Você já se apaixonou?
.Quando você goza e relaxa?
.Por que você é tão "elétrico"?
.O que te encanta?
.O que te conquista?
.O que te estressa?
.Qual o seu maior prazer?
FRASES FEITAS
.Penso em você 24hs.
.A tese de que os homens são de Marte e as mulheres são de Vênus cai como uma luva (antes, durante e depois).
.Você me faz praticar o mantra: Colaborar com o inevitável!
.Francamente, seu encanto me desconcerta.
.Além da sua risada gostosa, você cantando é show!
.Indiferença me aborrece, impaciência (ainda) me dá nos nervos.
.Resgatar o prazer de viver, não tem preço.
VICE-VERSA
.Foi bom pra você?
.Vamos dar um tempo juntos?
.Hoje vai rolar mais que um café!
.Fiz essa trilha sonora pra você.
.Posso pedir um colo?
.Vem cá, me dá um abraço.
por Silkelita (num momento Capricho).

Intersecção


"Os olhos te veem como todos os dias,
mas a distância percorrida jamais
se perde de vista."

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A importância de beijar muuuuuito




Clitóris = lábios?
Os lábios da boca guardam semelhanças com o clitóris, principal motorzinho do prazer feminino – essa seria uma das explicações de por que mulheres, principalmente, amam beijar. Ambos os órgãos têm intensa irrigação vascular e escondem suas terminações nervosas sob uma fina mucosa, o que os tornam supersensíveis. Além disso, a boca é a primeira parte do corpo com a qual exploramos o mundo, a partir do peito da mãe. Trocando em miúdos, por meio dela somos apresentados à noção de prazer (no caso, o da alimentação). A cada encontro com um novo parceiro, os lábios acabam por revelar se a relação terá ou não futuro sexual. O cheiro do outro, o gosto, a textura e a temperatura da pele... Tudo isso já pode ser sentido no beijo. Ou seja: é no encontro de lábios que nasce e morre o tesão. Ou o amor. “O beijo implica, ao mesmo tempo, acesso ao corpo do outro e uma entrega talvez maior do que a da transa”, avalia o psicanalista e escritor Contardo Calligaris. “Nele, o amor está quase sempre misturado.” Tanto que, quando o desgaste contamina um relacionamento, o contato labial vai ficando cada vez mais diplomático, até chegar a um selinho, no máximo. “A partir do momento em que não há mais vontade de dar beijo de língua, a relação sexual também fica comprometida”, afirma Carmita Abdo. “O beijo não mexe só com o corpo da pessoa, mas também interfere no seu estado psicológico.”
Por: Thiago Bronzatto
Foto: Collier Schorr
http://gloss.abril.com.br/sexo-amor/conteudo/importancia-beijar-muito-475874.shtml?pagina=3